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24. A construção da identidade moral

Capítulo 24 - A construção da identidade moral

NINGUÉM NASCE MORAL

- ser humano precisa ser educado para convivência
- aprendizagem supõem descentramento/sair de si mesmo
- (não olhar apenas para o próprio umbigo)
- a descoberta de que o outro é um "outro-eu" é fundamental para superar o egocentrismo



- exige-se mediação dos agentes (responsáveis) culturais
- evolução se dará quando conseguirmos superar comportamento heteronômico (ou seja: obediência sem crítica)
- o abandono do dogmatismo não se confunde com postura individualista
- há a necessidade de se participar da elaboração de regras comprometidas com o social
- existe o risco de se desenvolver técnicas de doutrinação
- embora na fase heteronômica exista a necessidade de regras que vêm de fora...
- aos poucos é preciso abrir espaços de discussão e classificação de valores...
- vejamos teóricos construtivistas que explicam o desenvolvimento da moralidade:
- Piaget e Kohlberg:

A TEORIA DE PIAGET

Jean Piaget: psicólogo e filósofo suíço (1896-1980)

Jean Piaget

- teoria: "psicologia genética"
- segundo essa teoria: NÃO há inteligência inata, ou seja, que nasça com indivíduo



- gênese da razão (nascimento da razão), da afetividade e da moral se faz (se constrói)... em estágios progressivos
- progressos se dão aos poucos...
- daí... teoria Construtivista



- na evolução da lógica e da moral...
- odesenvolvimento mental se dá em estágios: desde nascimento até a adolescência

*obs: pode variar, dependendo do grupo social

- segundo Piaget existem 4 estágios:

1. sensório-motor
2. intuitivo ou simbólico
3. etágio das operações concretas
4. estágio das operações formais

- Primeiro: sensório motor (de zero a dois anos)

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- bebê conhece o mundo pelas percepções sensoriais e dos movimentos
- criança não pensa
- inteligência se desenvolve à medida que bebê aprende a coordenar sensações e movimentos
- na relação bebê/pessoas: prevalece a indiferenciação, ou seja...
- a separação entre o bebê e o mundo não é percebida
- bebê não consegue distinguir-se como sujeito individual
- por volta dos três meses: descoberta gradativa do corpo



-(segundo Lacan - psicanalista francês): por volta dos dezoito meses: criança reconhece dualidade...
- descobre-se separada da mãe e do resto

- Segundo: intuitivo ou simbólico (dos dois aos sete anos)

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- começa com a descoberta do símbolo



- a realidade pode ser representada
- a palavra torna presente o que está ausente
- exemplo do vídeo: "a tampa imaginária"
- a inteligência é intuitiva
- as lembranças são motoras
- o egocentrismo infantil (dessa fase) não deve ser confundido com egoísmo...
- atitudes egocentricas não constituem um defeito da criança, mas sim algo da própria condição humana (nesse estágio!)



- a criança é seu próprio ponto de referência...
- pensa, sente, age a partir de si mesma
- afetivamente: a criança acha que o mundo gira em torno dela...
- quer todas as atenções...
- não quer repartir o brinquedos...



- tem dificuldade de discutir, de ouvir o outro...
- no encontro com outras crianças prevalecem os "monólogos coletivos"...
- não há interação - do ponto de vista moral: não existe introjeção de regra alguma
- vive num mundo pré-moral
- predomina a ANOMIA, ou seja a ausência de leis: (a, "negação", e nomos, "lei")
- reluta em aceitar regras
- após três ou quatro anos: capacidade de HETERONOMIA, ou seja aceita normas externas: (hetero, "diferente", e nomos, "lei")

*embora seja característica do mundo infantil viver na heterenomia, prevalece essa atitude em muitos adultos: submetem-se aos valores da tradição, obedecem passivamente aos costumes por conformismo, temem a reprovação social ou divina.



- Terceiro: estágio das operações concretas ( de sete a doze anos)

- lógica deixa de ser intuitiva e passa a ser operatória
- a criança é capaz de interiorizar a ação
- capaz de realizar operações matemáticas, perceber relações lógicas...
- classificar...
- torna a percepção reversível
- coloca-se no lugar do outro



- pensamentos mais coerentes...
- construções lógicas mais aprimoradas...
- egocentrismo diminui
- do ponto de vista afetivo:
- formação de grupos
- expressam formas claras de companheirismo



- ação dos líderes sobre o grupo e confronto com grupos antagônicos
- do ponto de vista moral:
- afirma-se a heteronomia (regra externa)
- introjeção das normas da família e da sociedade
- nos jogos: preferência por regras rígidas, regras seguidas rigorosamente



- Quarto: estágio das operações formais (adolescência)

- aparecem caraterísticas que marcarão a vida adulta
- pensamento atinge o nível das operações abstratas
- ocorre a interiorização da ação vivida
- capacidade de distanciar-se da experiência e pensar por hipóteses
- amadurecimento do pensamento hipotético-dedutivo



- reflexão torna-se possível
- pensamento crítico em torno da própria vivência
- projetos de mudança



- afetivamente: a superação e realiza pela cooperação e pela reciprocidade
- persiste a ideia de discussão e consenso
- capacidade de reflexão dá condições para o amadurecimento moral
- aumenta o respeito mútuo, típico das relações autônomas



- a autonomia não nega as influências externas e os determinismos
- aumenta a capacidade de refletir sobre as limitações impostas...
- isso orienta as ações para superar as condições/condicionamentos



*quando adolescente decide pelo dever de cumprir uma norma, o centro da decisão é ele mesmo, sua própria consciência: (autonomia: auto, "próprio", nomos, "lei")

- ao refletirmos, trazemos o outro para dentro de nós
- refletir é discutir interiormente
- descobrimos o outro como um alter ego, um outro sujeito capaz de argumentação, que aprendemos a respeitar



- discussão é a exteriorização da reflexão

*se nos dispusermos a discutir partindo do pressuposto de que não mudaremos de ideia, não haverá discussão, mas "diálogo de surdos"

- discussão pressupõe reciprocidade: ouvir o outro preservando nossa autonomia


A TEORIA DE KOHLBERG

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Lawrence Kohlberg: psicólogo norte-americano (1927-1987)



- centrou suas atenções na questão moral
- investigou o comportamento moral de diversos grupos: em escolas, prisões, quartéis
- analisou várias pessoas por vários anos
- diferentemente de Piaget (seu mestre) acredita que...
- o desenvolvimento do pensamento lógico é condição para a vida moral
- MAS... o pensamento lógico sozinho NÃO é suficiente para a vida moral plena.
- maturidade moral só pode ser alcançada apenas pelo adulto...
- mesmo assim, dependendo das condições vivenciadas pelas pessoas

*o nível mais alto de moralidade exige lógicas mais complexas do que aquelas do pensamento formal

- Kohlberg reformula a teoria dos estágios, distinguindo 3 níveis de moralidade, cada um deles composto de dois estágios:

1. pré-convencional (primeiro e segundo estágios)
2. convencional (terceiro e quarto estágios)
3. pós-convencional (quinto e sexto estágios)

Primeiro nível: pré-convencional

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- caracteriza-se pela moralidade heterônoma (regra externa)
- dividido em dois estágios: primeiro e segundo estágios:

- primeiro estágio(pré-convencional): "medo da punição"



- regras derivam da autoridade
- regras aceitas de forma incondicional
- criança obedece a fim de evitar castigo/ou para obter recompensa

- segundo estágio (pré-convencional): "troca, acordo"



- ocorre processo de descentração
- ao lado do interesse pessoal, ocorre reconhecimento do interesses alheios
- mas... moral ainda é individualista
- buscam-se estabelecer trocas e acordos

- Segundo nível: convencional

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- ocorre o "reconhecimento" do outro

- terceiro estágio (convencional): "pertencimento ao grupo"



- expectativas interpessoais
- identificação com grupo
- grupo passa a ter prioridade
- regra seguidas para garantir elogios
- preocupação com opiniões alheias

- quarto estágio (convencional)



- relações individuais são consideradas do ponto de vista do sistema Terceiro nível: pós-convencional
- pessoa começa a perceber os conflitos entre as regras e o sistema

- quinto estágio (pós-convencional)

- pessoa reconhece haver enorme variedade de valores e opiniões...

- muitas vezes inconciliáveis entre o legal e o moral

-sexto estágio (pós-convencional): "dilemas sociais versus valores vitais"



- comportamentos morais passam a ser regulados por princípios
- valores independem dos grupos/pessoas
- ocorre o reconhecimento dos princípios universais:
- igualdade dos direitos humanos...
- respeito à dignidade das pessoas, etc.

*os movimentos pacíficos de desobediência civil (aliados ao comportamento moral) representam o esforço de mudança em direção a uma sociedade mais justa!


DIFICULDADES DA EDUCAÇÃO MORAL


- Kohlberg constata:
- percentual baixíssimo de cidadãos atinge o nível de moralidade pós-convencional
- inúmeros fatores para isso, dentre eles:
- não nascemos morais
- a moral evolui por etapas
- precisamos de oportunidades para a descentração (sair de si e "reconhecer" o outro)



- precisamos de oportunidades (efetivas/"reais") para viver de modo solidário
- necessário que pais e professores estejam maduros moralmente
- porém, daí as dificuldades...



*se os próprios adultos nem sempre atingem os níveis mais altos da moralidade, como nos empenharmos na educação moral dos jovens???


A CONSTRUÇÃO DA PERSONALIDADE MORAL


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- ninguém nasce moral
- pela EDUCAÇÃO ("real") o indivíduo terá chance de constituir sua personalidade moral, superar seu narcisismo e mover-se ao encontro do outro
- ao contrário da moral doutrinadora, normas de coexistência devem supor a deliberação livre e responsável
- em uma sociedade individualisa e competitiva pode parecer utopia aspirar por valores baseados na reciprocidade e no compromisso



- o desenvolvimento moral depende de uma política de acesso de todas as crianças à "EDUCAÇÃO"
- também é necessário preparar professores na sua formação ética e política

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei a graça e a inteligência nas explicações sobre a teoria da moral de Kohlberg. Parabéns!