Coadjuvante

Não comando, só reajo ao influxo que há em mim!
Um continente aquático interno me conduz, sou coadjuvante.

Transbordo recriado de minha própria substância,
feito um floco fluido de nascente.

Pétala líquida tatuada.
Significante sedento.

Oblíquo, obtuso, sonoro, tsunâmico...
Gota ou ressaca...

Servo de maré, crio sulcos, rolo pedras, esborrifo grãos de sal.
Súdito das fluências, desfilo embarcações, remo olhares.

Coadjuvante de mim... Correntezas minhas orientam meu Mar!

São Paulo, 23 de novembro de 2014.

Fosse...

Fosse eu uma bula, diria:
“Ao persistirem os sintomas, procure a causa. E, em caso de dúvidas,  persista!”

Dos efeitos-colaterais&reações-adversas:
“Risco de migração&represamento”.

Não sendo, respiro aliviado:
(                                                                                    )  < espaço para o Ar!

São Paulo, 23 de agosto de 2014

IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato V

Nos "Ais" compulsivos de um mercado-subterrâneo canta um celular búdico; era um bruxo no entardecer macerando o suor entre os dedos e soprando-os ao espaço, num gesto de vibração para sustentar o Universo:
 
ESPELHO: É que o comércio fundamentado, entidade-profana, segue seu empreendimento-gritado, num fluxo migratório de cofre-áureo-cavalgado. Escudeiros fiéis, questores, pretores... todos descalços, vestem seus colares-do-medo (pendurando cativos elementos instintivos recheados de arroz, carros e vaginas...) A vogal enovelada debate-se cofre adentro, amarrada pelos braços, escalpelada...
 
Pois...
 

BRUXO: Cumpro em minha função, nos dizeres da Senhora-Cigana, o de ser "orelha-da-vingança".
Num fluxo de seiva aérea-enfileirada me desfaço em meu topo, nevoeiro-de-pérola, onda-gasosa... Disperso e Vário penetrando a carne mucosa dos nervos. Num fluxo atordoado ocupo a sede oculta da máquina. Sou filho da brasa em coito... Parido na Língua da madeira perfumada; cumpro minha função aérea de invadir espaços e resgatar Letras, de ser alívio no estigma dos que aprenderam a me respirar, ainda que enovelados pela pirataria acusada das telas...
 
Idílio e Insânia, balizas-do-Silêncio, deixam-se preencher... Eis um dos Elementos, reconhecido!

Mucosa da Lua

A mucosa da Lua alimenta seu lado vazio...
Nas papilas Lunares dançam juntos o hálito e o Dragão...

(São Jorge desterrado segue, feito cavaleiro-ereto, em direção a seu lugar de origem; cumpre sua órbita de justiça)

Aos olhos humanos brilha intensa a cauda de uma Nova Era!

São Paulo, 10 de agosto de 2014.

Na face desfeita da polpa anoitecida

Para a Paula Pimentel

O esconderijo do silêncio é a noite eterna, face dissolvida do cósmico...
Carne que não se revela, a menos que se musique um phaser de violino rugido...
Há sóis multiversos à deriva nos hiatos do vácuo e
aí habita o esconderijo do silêncio, na face desfeita da polpa anoitecida...
Revelador!

Vale um efervescer de tripas ou, no melhor dos casos, um respirar yoguim vivificado.
 
São Paulo, 08 de agosto de 2014.

cotas-de-pensamento

Risco (num traço imaginário) fragmentos, cotas-de-pensamento...
E não satisfeito com o resultado-metáfora
espalho-os todos,
num gesto varrido de pétala que se abre...

Pronto, está posto!
Era esse o propósito!

Espalho-os sem inércia...
Eis a dança trombada dos encontros...
A maciez desse pessoal...

É que... se tiro a máscara dos sentidos-atribuídos
vejo o rosto do Universo!

São Paulo, 25 de julho de 2014

Conversa canina

Valendo um critério, onde mora a certeza?! Ela pulou na cama...
Meu presente: um cutelo suculento.
Ela tinha alcance ontológico...
Eu, um recorte.

Pereiras, 15 de julho de 2014.

Organismos do Absoluto


A razão?!...
deve ser as águas se batendo sobre mar... empossadas desde as beiras...
Ou... a lava expelida, enfurecida, cicatrizando-se em rochas-da-certeza...
Ou ainda... deve de ser um sopro envaidecido de furacão... num enfisema de balão...
A Terra fosse glândula, enzima secretada seria Arte!
Os chakras então: poesia!

Pereiras, 15 de julho de 2014.

É que o Caos não precisa de diplomacia


Diplomata do Caos,
fui eleito por mim ao empreender uma
pergunta Íntima ao Louco:
“você escreve poesia?”
A resposta foi óbvia.

Pereiras, 15 de julho de 2014.

Almoço


Fritar os gases do gesto poético...
Raspar as estruturas...
Enxergar os sabores com os olhos na ponta das Línguas...
E numa troca de passos serenos, servir o Silêncio melódico.

Pereiras, 15 de julho de 2014.

Abrakadabra!


O finge-dor proclama:
Se o céu fosse cofre estaríamos presos!

Pereiras, 11 de julho de 2014.

Curto-circuito


A tomada da bastilha eletrocutou o mundo, vivemos aterrados!
Disfarço cinco dedos médios em cada mão para acenar um adeus empreendedor...
Sim, eu sei... Um elo perdeu-se entre o aquém-ancestral e o demasiado-humano!
Mas, porém, com tudo (que já disseram É Nada) sigo sendo de geladeira aberta...

Pereiras, 11 de julho de 2014.

Ao coração do escorpião


Pinço letras, que são esses meus utensílios!
Garfo dimensões atemporais, que é esse meu mistério!
Masco minha cauda, que no rolo gira-mundo!
Tropeço no mar...
Galopo o pesar...
Apedrejo o manjar.
Que no céu profundo há-fins!
Por falta de verbo, vai esse mesmo: mistério!

Pereiras, 11 de julho de 2014.

as mil e uma noites

O grito fosse ostracismo, retornaria purificado (no mal sentido de um ritual expiatório), mas é flato simbólico de uma epifania; do ritual: antes escape que válvula, pílula-abracadabra dissolvida na norma que se fita. Mil e uma noites com Cérbero, em campanha; plena rede nacional (horário nobre!)... Deuzolivre.

São Paulo, 19 de maio de 2014

soro


Fitar-se no outro que há em mim... Que a gente nem saca o óbvio de tanto encabeçar os ais, deixando assim engessar o coração... Num tempo de chegadas em que se avistam as bandeirinhas e os vestidos de algodão, coloridos... Em tempo de sorrir ao céu enquanto se roça a boca, ao chão... A alma formigando. Um ponto intenso azul luminoso, repentino e esporádico. Ah, provar o soro do meu veneno. Render-me alheio e sem razão. E enfim, dançar um tango embriagado coladinho com a face de um futuro necessário. Reaprender.

 

São Paulo, 26 de maio de 2014

prorroga(ações)

Trismegisto africanizado, embandeirado de Paraíba,
ginga sobre as pembas canalizando zap zaps sobre os trilhos.

Ah, meus irmãos, em tempos de espada nua,
cifras semióticas pulsionam o viver,
feito golden goal daquelas prorroga(ações).
 

Não chorem pelo trânsito... ele flui!
Choque mesmo é o intransitável.


São Paulo, 11 de junho de 2014