Prometeu!
Prometeu!
O sangue que corre de tuas entranhas
é tinta para a caneta dos homens.
Teu fogo roubado de Zeus
Ilumina
Aquece
Consome
toda a nossa existência.
Teu fogo Arde.
Que fizeste conosco, Prometeu?
São Paulo, 03 de abril de 2003
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breve passagem por jardim
Em manto verde enraizado
de planisfério interminável
brilha, em delicados espectros,
o sol da manhã...
Primeiros raios da alvorada.
Intenso odor de relva
escala, em ventos espirais,
minha mente em conjunção
desconcentrada, esverdeada...
Delicados cílios: brotos em terra encarnada
acolhem o olhar em desejos caudalosos.
Delicados cílios em orvalho, orvalhada,
apontam para um céu
que se cobre de estrelas adormecidas...
Mas quão fugaz é a passagem
por resplendorosa gramínea.
Breve sorriso de soslaio
trancafia-se de ferrolho,
responsabilidade:
uma aula toda inteira me aguarda.
São Paulo, 29 de abril de 2003
de planisfério interminável
brilha, em delicados espectros,
o sol da manhã...
Primeiros raios da alvorada.
Intenso odor de relva
escala, em ventos espirais,
minha mente em conjunção
desconcentrada, esverdeada...
Delicados cílios: brotos em terra encarnada
acolhem o olhar em desejos caudalosos.
Delicados cílios em orvalho, orvalhada,
apontam para um céu
que se cobre de estrelas adormecidas...
Mas quão fugaz é a passagem
por resplendorosa gramínea.
Breve sorriso de soslaio
trancafia-se de ferrolho,
responsabilidade:
uma aula toda inteira me aguarda.
São Paulo, 29 de abril de 2003
boca empolada
Boca rachada de vento
evita sorriso aberto:
sorrir é sangrar
por entre dentes trepidantes.
Em pele empolada
de boca frustrada
alinham-se sulcos dolorosos
Boca empolada
pele rachada:
bandeira sem vento em dia de garoa.
São Paulo, maio de 2003
evita sorriso aberto:
sorrir é sangrar
por entre dentes trepidantes.
Em pele empolada
de boca frustrada
alinham-se sulcos dolorosos
Boca empolada
pele rachada:
bandeira sem vento em dia de garoa.
São Paulo, maio de 2003
cobertor furado
O homem sentado na cama
olha as listras do cobertor.
Sua vida é como aquilo:
vai e vem interminável.
Ele pensa não querer
aqueles trâmites emaranhados,
mas das linhas, a maciez lhe interessa...
Pensa melhor:
O cobertor já não é tão agradável,
nem tão macio assim,
se comparado de quando ele era mais novo.
Olha só,
tem até um furo no meio!
Então conclui:
Vou trocar de cobertor,
mas e quanto a minha vida?
São Paulo, 22 de maio de 2003
olha as listras do cobertor.
Sua vida é como aquilo:
vai e vem interminável.
Ele pensa não querer
aqueles trâmites emaranhados,
mas das linhas, a maciez lhe interessa...
Pensa melhor:
O cobertor já não é tão agradável,
nem tão macio assim,
se comparado de quando ele era mais novo.
Olha só,
tem até um furo no meio!
Então conclui:
Vou trocar de cobertor,
mas e quanto a minha vida?
São Paulo, 22 de maio de 2003
o nylon e a carne
Um som quente e triste salta do nylon...
Rompe o ar
todo distraído de si,
com seus átomos dispersos, desorientados...
Uma nota solitária,
resinosa,
quase interminável,
irriga o ambiente de uma assonância
singular,
contagiando ouvidos desavisados, precipitados...
Melodiosa cena de se ver...
Tão calma e tão serena...
Toda embebida de ternura,
de cheiro de criança recém-nascida.
Alça vôo incandescente
em rio subterrâneo de indivíduo
que pulsa febril,
o toque dos dedos convictos.
Uma maestria eloqüente e transformadora
guia o confim das sensações...
O gesto é quase o mesmo de outrem...
É de mecânica diferenciada...
É quente...terna...quase maleável...
Instrumento e instrumentista:
almas gêmeas que se complementam
a fim de elevar em sublimação contagiante,
os sons que inundam o hiato do silêncio inquietante.
São Paulo, junho de 2003
Rompe o ar
todo distraído de si,
com seus átomos dispersos, desorientados...
Uma nota solitária,
resinosa,
quase interminável,
irriga o ambiente de uma assonância
singular,
contagiando ouvidos desavisados, precipitados...
Melodiosa cena de se ver...
Tão calma e tão serena...
Toda embebida de ternura,
de cheiro de criança recém-nascida.
Alça vôo incandescente
em rio subterrâneo de indivíduo
que pulsa febril,
o toque dos dedos convictos.
Uma maestria eloqüente e transformadora
guia o confim das sensações...
O gesto é quase o mesmo de outrem...
É de mecânica diferenciada...
É quente...terna...quase maleável...
Instrumento e instrumentista:
almas gêmeas que se complementam
a fim de elevar em sublimação contagiante,
os sons que inundam o hiato do silêncio inquietante.
São Paulo, junho de 2003
lógica de criança
Mergulhou o corpo todo na piscina
para que as gotas da chuva
não lhe molhassem.
São Paulo, 06 de junho de 2003
para que as gotas da chuva
não lhe molhassem.
São Paulo, 06 de junho de 2003
Crise na educação
“Pai, se a Terra é redonda
e nós podemos estar de ponta cabeça,
então porque que a gente não cai?”
O pai,
brasileiro de nascença,
infelizmente,
não soube responder.
São Paulo, 06 de junho de 2003
e nós podemos estar de ponta cabeça,
então porque que a gente não cai?”
O pai,
brasileiro de nascença,
infelizmente,
não soube responder.
São Paulo, 06 de junho de 2003
Cátia
Pois essa estrelinha suspensa
no cosmo do seu olhar
é guia de viajantes...
Pois essas covinhas enraizadas
na planta da tua face
são portos seguros
de outros semblantes...
Olhos d’água, tão puros e juvenis,
inundam toda a sua existência...
Conchas, 12 de junho de 2003
no cosmo do seu olhar
é guia de viajantes...
Pois essas covinhas enraizadas
na planta da tua face
são portos seguros
de outros semblantes...
Olhos d’água, tão puros e juvenis,
inundam toda a sua existência...
Conchas, 12 de junho de 2003
verde santidade
Aloja a gota brilhante
que lhe cai sobre a pele oliva.
Em movimento de alegria,
transluz em agradecimento
o caldo que escorre líquido.
De pé, em terra apoiada,
lateja em força insistente
sua esperança cintilante.
Galhos, folhas, de tão verde santidade,
engrossam velhos jardins.
São flores, pétalas, arbustos, espinhos,
caminhos incessantes para o céu,
carícias ao vento, caminhos distraídos...
E a quase inevitável
Poda...
São Paulo, 26 de junho de 2003
que lhe cai sobre a pele oliva.
Em movimento de alegria,
transluz em agradecimento
o caldo que escorre líquido.
De pé, em terra apoiada,
lateja em força insistente
sua esperança cintilante.
Galhos, folhas, de tão verde santidade,
engrossam velhos jardins.
São flores, pétalas, arbustos, espinhos,
caminhos incessantes para o céu,
carícias ao vento, caminhos distraídos...
E a quase inevitável
Poda...
São Paulo, 26 de junho de 2003
na cascata cintilante
Em frente à magra fronte
respira o rinoceronte.
Nos olhos cascata cintilante
de um branco azul verdejante.
Suspende a fronteira do Desejo
e afoga a língua em lampejo
na plácida água cristalina
de um chão de cera e purpurina.
Afoga a sede...vitória.
Meia volta e fim de história.
São Paulo, 27 de junho de 2003
respira o rinoceronte.
Nos olhos cascata cintilante
de um branco azul verdejante.
Suspende a fronteira do Desejo
e afoga a língua em lampejo
na plácida água cristalina
de um chão de cera e purpurina.
Afoga a sede...vitória.
Meia volta e fim de história.
São Paulo, 27 de junho de 2003
espaço que se estende
Todo um espaço se estende
até que minhas vistas alcancem
o outro lado.
Todo um espaço se estende,
como mormaço de seda,
em bacia entre serras
fulgurantes.
Todo um espaço se estende,
entre serras deitadas,
num chão ocre e pueril
Serras de cabelos cacheados
que escorrem até a boca
do rio em correnteza.
Um rio que fita ébrio e teimoso
todo um espaço que se estende
até que minhas vistas alcancem
o outro lado.
Conchas, 15 de julho de 2003
até que minhas vistas alcancem
o outro lado.
Todo um espaço se estende,
como mormaço de seda,
em bacia entre serras
fulgurantes.
Todo um espaço se estende,
entre serras deitadas,
num chão ocre e pueril
Serras de cabelos cacheados
que escorrem até a boca
do rio em correnteza.
Um rio que fita ébrio e teimoso
todo um espaço que se estende
até que minhas vistas alcancem
o outro lado.
Conchas, 15 de julho de 2003
artefato sedutor
Admirável impressão vê-la repentinamente.
Num átimo, feito resquício de segundo,
bastou o soslaio de um olhar
para que todo um mundo à minha frente
rompe-se em pó, em nada...
E para que todos os meus sentidos
se voltassem impreteríveis
à sua formosura regular de esfera florescente,
viçosa e robusta,
esgarçando o escuro do céu anoitecido:
era a Lua amarelenta
pousando fria num palco de estrelas miúdas.
Bico roliço no seio da noite.
Impalpável feito virgem banhada de areia.
Quanta sedução em sua cor!
Erguia-se mais e mais, tão levemente,
na noite frondosa fazendo bulício
no átrio boquiaberto do meu coração.
Feito bico roliço e sedutor no seio da noite,
rolava superior e independente,
no leito do universo
coberto de lençol, manto azulado.
E eu aqui...
Embasbacado...
São Paulo, 15 de agosto de 2003
Num átimo, feito resquício de segundo,
bastou o soslaio de um olhar
para que todo um mundo à minha frente
rompe-se em pó, em nada...
E para que todos os meus sentidos
se voltassem impreteríveis
à sua formosura regular de esfera florescente,
viçosa e robusta,
esgarçando o escuro do céu anoitecido:
era a Lua amarelenta
pousando fria num palco de estrelas miúdas.
Bico roliço no seio da noite.
Impalpável feito virgem banhada de areia.
Quanta sedução em sua cor!
Erguia-se mais e mais, tão levemente,
na noite frondosa fazendo bulício
no átrio boquiaberto do meu coração.
Feito bico roliço e sedutor no seio da noite,
rolava superior e independente,
no leito do universo
coberto de lençol, manto azulado.
E eu aqui...
Embasbacado...
São Paulo, 15 de agosto de 2003
um espelho
Ergueu-se feito muro à minha frente.
Era sólido como lagoa de prata petrificada.
Mais um susto...
Era o espelho da manhã
dizendo-me as coisas que eu deveria fazer naquele dia.
E do outro lado estava
eu...
tão sonolento quanto haveria de estar.
São Paulo, 19 de outubro de 2003
Era sólido como lagoa de prata petrificada.
Mais um susto...
Era o espelho da manhã
dizendo-me as coisas que eu deveria fazer naquele dia.
E do outro lado estava
eu...
tão sonolento quanto haveria de estar.
São Paulo, 19 de outubro de 2003
a hora muda
A hora muda faz silêncio...
Mas...
Como momento extremo,
grita absoluta minha alma.
Dentro em mim,
vejo a veia que salta da garganta
e o sangue que rega de vida meu jardim
(este tem seu nome)
...............................................
meu desejo é único:
tingir de céu o infinito de seu ser.
São Paulo, 20 de outubro de 2003
Mas...
Como momento extremo,
grita absoluta minha alma.
Dentro em mim,
vejo a veia que salta da garganta
e o sangue que rega de vida meu jardim
(este tem seu nome)
...............................................
meu desejo é único:
tingir de céu o infinito de seu ser.
São Paulo, 20 de outubro de 2003
simples
Coelhinho, branco como a neve,
salta da caixinha de músicas.
Eis a sutileza de um sorriso,
feito embrião a pulsar sua vidinha.
Gargalhada infantil e palminhas de algodão
festejam o brilho nos olhinhos.
Simples reconhecer um bichinho tão singelo.
Simples querer tocá-lo tão ansiosamente.
Simples desejar a vida
como algo que segue engatinhando.
Simples ser sempre sorridente
e querer alcançar com as mãos
algo que salta além dos olhos.
São Paulo, 20 de outubro de 2003
salta da caixinha de músicas.
Eis a sutileza de um sorriso,
feito embrião a pulsar sua vidinha.
Gargalhada infantil e palminhas de algodão
festejam o brilho nos olhinhos.
Simples reconhecer um bichinho tão singelo.
Simples querer tocá-lo tão ansiosamente.
Simples desejar a vida
como algo que segue engatinhando.
Simples ser sempre sorridente
e querer alcançar com as mãos
algo que salta além dos olhos.
São Paulo, 20 de outubro de 2003
calmaria
O toco do azulejo
era tão rente à calmaria da grade
que o ladrão entristeceu-se.
São Paulo, 09 de dezembro de 2003
era tão rente à calmaria da grade
que o ladrão entristeceu-se.
São Paulo, 09 de dezembro de 2003
Lavoisier
A bacia do bicho
mergulhou em tinta fresca,
virou adereço artístico,
deixou o mundo mais feliz.
E quem disse que não existe ressurreição?
São Paulo, 09 de dezembro de 2003
mergulhou em tinta fresca,
virou adereço artístico,
deixou o mundo mais feliz.
E quem disse que não existe ressurreição?
São Paulo, 09 de dezembro de 2003
o nome da lua
Poesia para Cátia
é carinho de galáxia.
Poesia de cabelo
é lenço sobre sua face astral.
Pereiras, 27 de dezembro de 2003
é carinho de galáxia.
Poesia de cabelo
é lenço sobre sua face astral.
Pereiras, 27 de dezembro de 2003
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