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IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato V

Nos "Ais" compulsivos de um mercado-subterrâneo canta um celular búdico; era um bruxo no entardecer macerando o suor entre os dedos e soprando-os ao espaço, num gesto de vibração para sustentar o Universo:
 
ESPELHO: É que o comércio fundamentado, entidade-profana, segue seu empreendimento-gritado, num fluxo migratório de cofre-áureo-cavalgado. Escudeiros fiéis, questores, pretores... todos descalços, vestem seus colares-do-medo (pendurando cativos elementos instintivos recheados de arroz, carros e vaginas...) A vogal enovelada debate-se cofre adentro, amarrada pelos braços, escalpelada...
 
Pois...
 

BRUXO: Cumpro em minha função, nos dizeres da Senhora-Cigana, o de ser "orelha-da-vingança".
Num fluxo de seiva aérea-enfileirada me desfaço em meu topo, nevoeiro-de-pérola, onda-gasosa... Disperso e Vário penetrando a carne mucosa dos nervos. Num fluxo atordoado ocupo a sede oculta da máquina. Sou filho da brasa em coito... Parido na Língua da madeira perfumada; cumpro minha função aérea de invadir espaços e resgatar Letras, de ser alívio no estigma dos que aprenderam a me respirar, ainda que enovelados pela pirataria acusada das telas...
 
Idílio e Insânia, balizas-do-Silêncio, deixam-se preencher... Eis um dos Elementos, reconhecido!

IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato IV

No contorno colorido das palavras, uma convulsão arabesca de mãos floridas espalma-se à espuma espraiada:

CRÍSTICO: um varal de pautas sobre o mar a uma bota ilustrada sobre o sol envernizado? Um Apocalipse aracnídeo vivido a uma estatueta flambada da copeira que não vem?


CRÍSTICO: Na sensatez do Som, dobro, assombrado, a esquina dos ciclos espiando a avareza dos monumentos!
Lords, Mephisto(phé)licamente silencio nesta garagem hermenêutica de circuitos afoitos... Que no mais, tudo é Sonho e Loucura... Gentlemans, recolho-me, pois é tudo!

IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato III

Na equalização sonora da arquitetura das nuvens, que pulsam suas canções, emergem as seguintes teias:

LEMBRANÇA: seu rosto gestual disfarçava, incompetente, o encantamento mediado pelo afeto; a etiqueta dos Sentidos, tão poetizada, leve e sutil, tornara-lhe um fardo obsessivo diante do espelho; a aflição tomara-lhe, pelas pernas, pelos olhos.
A Entrega era o abismo.

E então fez-se um silêncio...
Agudo e febril.
Fez-se um silêncio-gritante rasgando as energias do tempo.

Seu olhar empobreceu.
Mas para isso servem os óculos escuros, também...
Para isso servem...























LEMBRANÇA: mas posso tocar esse silêncio... possuo as chaves... está tudo lá... protegido, num ninho-quente-aconchegante-de-palha-ocre-iluminado, num canto lúcido do mundo, que faz lembrar o fim de um corredor parado no fundo absurdo de um olhar possível... NO FUNDO ABSURDO DE UM OLHAR POSSÍVEL... por trás de um óculos escuro.

INSÂNIA: calcanhares com asa, recalques em brasa!

IDÍLIO: chamem Oscar Wilde, crístico acorrentado feito um Prometeu... Precisamos de um veredito... Surre-alice?

IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato II

Idílio varre as nuvens de teus olhos, que o portal itinerante dilatou seu espectro. Insânia desata as plumas de sua Fênix interior e corre descalça ao cavalheiro à espera. Já sujeitos à subida dos degraus, afeitos à anti-vigília humana, saboreiam o hálito das inconstâncias. Na fronteira do iceberg suspenso proclamam aos insones confusos:

INSÂNIA: Bom dia, panteístas! Devo-lhes informar que a normalidade anda nua cavalgando os lustres burgueses. Sintam-se em brasa, que a brisa de nosso manto afoito há de refrescar suas curvas insondáveis!

IDÍLIO: Bom dia, dócil ampulheta, vejo que prossegues entupida em seu eterno desgirar. Teu desgaste oculto é como a arte neste julgo de operários. Alivia a nódoa dos cretinos, faz jorrar a areia do tempo em conclusões confusas, que isto basta em minhas minúcias extremas.

IDÍLIO & INSÂNIA: Cena Única - Ato I

INSÂNIA: Nunca me ardi com filosofia, nunca advoguei ao diabo e, felizmente, o logos divino à tudo, que é nada, energiza, para que, sem interrogações, esta Loucura que voz fala, torne-se a quintessência do além-sabedoria, esta quimera letrada labiríntica e banal.

IDÍLIO: Desposada amada varrida, quanto de meus olhos realengos são prata petrificada de sua profundidade cósmica? Se me enlaço em tuas bordas somos alfa, se desato teus nós somos um!

INSÂNIA: Sim, não, enfim... Piazzollemos...



Piazzollemos nossos calcanhares, que o espectador é tributado e requer um seno caliente em tu gangorra neuronal!

IDÍLIO: Si, corazón... Si! Pisoteemos tua veste estrelada antes de escalar os degraus deste entorno obscuro; pisoteemos, que é noite e os humanos, em breve, desatarão suas amarras!














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IDÍLIO & INSÂNIA: prólogo

Na segunda trombeta vermelha, as espirais fingem prender o ar, certas de que há perfeição nos objetos da alcova, com a finalidade de darem partida à mais uma noite de sonoridades absurdas.
Uma janela desdobrada apoia sua cúpula nos ombros do céu, as paredes brancas e um teto de narrativas aguardam o início das falas notívagas.
Na terceira trombeta, silêncio no vácuo...












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IDÍLIO & INSÂNIA: dedicatória

Em chão acelerado, de redemoinho lancinante, turvo o tempo em Reikis, a fim de amortecê-lo, para, num gesto imaginário de quem tira a cabeça, reverenciar a orla bordada de um elétron fatigado.
A luz de um sorriso enrubesce sua face de cargas; satisfaço-me. E tendo capotado a molécula, prossigo...
















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IDÍLIO & INSÂNIA: invocação

Antigos espíritos de um óvulo solar, transformem esse rótulo decadente em Hórus-Amon, essa escada sem degraus, que tem sido este dédalo!





















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